CHINESES VÃO INVESTIR R$ 400 MILHÕES EM TERMOELÉTRICAS

O grupo chinês Jiangsu Communication Clean Energy Technology (CCETC) deve anunciar nas próximas semanas seu primeiro investimento no Brasil, apurou o ‘Estado’ com fontes a par do assunto. A empresa vai fazer um aporte de cerca de R$ 400 milhões para construir duas termoelétricas na Bahia: Camaçari Muricy II e Pecém Energia, de 143 megawatts (MW) cada. O valor inclui a compra do controle das duas SPEs (Sociedades de Propósito Específico) e recursos para levantar as usinas movidas a óleo diesel. O grupo chinês terá cerca de 50% de participação nas empresas, que tinham como sócios a Petrobrás e um fundo de investimento chamado MDC, gerido pela Pacifico Administração de Recursos. O negócio envolve a participação do fundo, mas os chineses podem comprar 100% das térmicas futuramente. Isso porque a Petrobrás, por meio da BR Distribuidora, anunciou na semana passada a intenção de vender as térmicas dentro de seu programa de desinvestimento. A estatal tem 45% de participação na Pecém Energia e 50% na Energética Camaçari Muricy II – ambas em estágio pré-operacional. As duas usinas deverão começar a operar em outubro de 2020.

Procurada, a Petrobrás afirmou que não pode comentar o assunto. A Greenhill, que assessora o MDC, e o banco Haitong, que está com os chineses, não se pronunciaram. A CCETC também foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da reportagem. A Pacifico não se manifestou. Embora ainda não tenha oficializado o negócio, os chineses já se encontraram com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), para falar dos investimentos nas duas termoelétricas. A empresa asiática se comprometeu com o governo baiano a contratar 70% da mão de obra local. As duas térmicas serão construídas no município de Dias D’Ávila, na região metropolitana de Salvador. As usinas têm histórico longo. Foram contratadas num leilão realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2006, mas a homologação da outorga só ocorreu em 2014. Nesse período, houve muitas idas e vindas, com disputas judiciais em relação ao resultado do leilão, algumas solicitações de mudanças nas características técnicas do projeto e pedido de reajuste de 37% na receita fixa das duas térmicas para recomposição do equilíbrio econômico financeiro dos contratos de venda de energia. A justificativa das empresas é que uma série de fatores impossibilitou que as obras fosse feitas no cronograma original e que a crise alterou as condições de financiamento. O pleito, no entanto, não foi aprovado pela Aneel. Em contrapartida, o cronograma de construção da usina foi aprovado pela agência reguladora.

PETROBRÁS VAI INVESTIR EM ENERGIA LIMPA

Com um pouco de atraso em relação a outras petroleiras, a Petrobrás anunciou na terça-feira, 10, que vai aumentar seus investimentos em energia limpa, com foco na geração de energia solar e eólica. Para tocar novos projetos, a empresa escolheu a francesa Total, que ano passado adquiriu a Eren Renewable Energy e este ano a Direct Energy, ambas dedicadas à energia limpa. A ideia é utilizar áreas terrestres da Petrobrás no Nordeste e a tecnologia da Total. Segundo o diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão, Nelson Silva, a estatal ainda não tem orçamento específico para o novo negócio, que dependerá dos projetos que forem desenvolvidos pela joint venture a ser criada pelas duas companhias. Os estados no Rio Grande do Norte e Ceará são candidatos a receber empreendimentos eólicos, devido à força do vento dessas regiões. “Uma das particularidades da eólica é ter área física para instalar equipamentos. A tecnologia a Total já tem, está passos à frente da Petrobrás, e nós temos áreas no Brasil, vamos casar essas áreas com a tecnologia”, disse em teleconferência. A parceria, ainda limitada a um memorando de entendimento para avaliar novos negócios, abre as portas da estatal brasileira para um caminho que está sendo traçado há alguns anos pela indústria do petróleo, que vê aos poucos a era do combustível fóssil (petróleo, gás natural) dar lugar a uma economia de baixo carbono (energia renovável).

No ano passado, o Banco Mundial anunciou que deixará de financiar projetos de petróleo e gás para focar em energia renovável, o que também ajudou a despertar o interesse das grandes petroleiras como ExxonMobil, BP, Eni, Repsol, Shell, Statoil, Wintershall e Total. O objetivo é ajudar a cumprir o Acordo de Paris, que traçou metas para reduzir a emissão de gás carbônico na atmosfera. Para a pesquisadora da FGV Energia Fernanda Delgado, foi uma decisão acertada da Petrobrás e vai garantir um mercado diversificado para a companhia. “A energia renovável não concorre com o petróleo e pode ser vendida em lugares nos quais o petróleo não chega. Pensando em futuro de País, é bem positivo, é sempre bom investir em energia limpa”, avaliou. De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (Irena, na sigla em inglês), os investimentos em energia limpa saíram de US$ 47 bilhões em 2004 para o pico de US$ 312 bilhões em 2015 e US$ 241,6 bilhões em 2016.

No mesmo ano, a indústria do petróleo registrou queda de 12% nos investimentos em relação ao ano anterior, para US$ 708 bilhões. Para acompanhar essa onda, o próximo Plano de Negócios da Petrobrás (2019-2023) terá mais ênfase nos investimentos de energia limpa do que o atual (2018-2022), e muito mais do que no auge da crise da petroleira, nos dois anos anteriores, que segurou os investimentos na área, inclusive com o abandono da produção e biocombustíveis.

Portfólio

No segmento de energia renovável, a estatal possui hoje apenas quatro parques eólicos, que somam 104 megawatts de capacidade instalada, frente aos 13 mil megawatts de capacidade eólica instalada em todo País. A energia solar ainda está na fase de pesquisa e desenvolvimento dentro da Petrobrás, com uma planta de 1,1 megawatt no Rio Grande do Norte, contra 1,1 mil megawatts instalados no Brasil. O forte da empresa na área de geração de energia elétrica sempre foram as termelétricas a óleo ou gás natural, onde atua desde os anos 2000, por conta do racionamento de energia ocorrido no início da década. A capacidade total de geração elétrica das usinas termelétricas da Petrobrás é superior a seis mil megawatts. As informações são do jornal

CÂMARA PASSA A CONSUMIDOR CUSTO DO FURTO DE ENERGIA

Aprovado na noite de ontem na Câmara dos Deputados com uma série de emendas, o projeto de lei que destrava a venda das distribuidoras da Eletrobras pode elevar a conta de luz dos brasileiros em até 5% em 2019. Uma das emendas colocadas no texto repassa aos consumidores de todo o País o prejuízo das subsidiárias Eletroacre (Acre) e Ceron (Rondônia) com furtos de energia, conhecidos como “gatos”. Somente esse item pode onerar a conta de quem consome energia elétrica em 4%, segundo cálculo da Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia (Abrace). Outro ponto anexado ao texto aprovado na noite de ontem pelos deputados isenta famílias de baixa renda do pagamento da energia, o que elevaria o custo para o conjunto dos consumidores em mais 1%. O texto ainda precisa ser aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Michel Temer.

MAIA ENTERRA PL DE VENDA DA ELETROBRAS

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ontem que não vai mais pautar o projeto de lei de privatização da Eletrobrás neste ano. Esse projeto diz respeito à holding, que é dona de usinas, linhas de transmissão e distribuidoras, além de deter participações em Sociedades de Propósito Específico. “Não votaremos o projeto de lei da Eletrobrás neste ano”, afirmou.

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